Um outro país para Azzi

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Sarah Garland, autora da novela gráfica Um outro país para Azzi está de parabéns por abordar um assunto tão sofrido, como o dos refugiados, sem resvalar no proselitismo ideológico ou na desesperança.

Com sensibilidade ela retrata os medos e angústias de uma menina que por conta da guerra precisa fugir no meio da noite, deixando para trás tudo o que até então era o seu mundo: a casa, brinquedos, amigos, escola e, o mais difícil de tudo, a avó a quem ama muito.

Azzi e os pais têm sorte de encontrar asilo num país com uma boa infraestrutura para os receber. Infelizmente não é isso que normalmente acontece. É muito comum famílias de refugiados passarem anos morando em acampamentos super populosos e insalubres.

Ser um exilado é muito doloroso e deixa cicatrizes para a vida toda, e a leitura de Um outro país para Azzi me fez pensar em outras situações menos dramáticas, mas, assim mesmo, muito difíceis. A vida daqueles que, por circunstâncias adversas, precisam emigrar.

Por mais que encontrem o apoio de conterrâneos ou parentes, as dificuldades de adaptação costumam ser imensas. Sem contar que terão que superar a desconfiança dos que os consideram pessoas de segunda classe, ou usurpadores de postos de trabalho.

A novela gráfica Um outro país para Azzi  é indicada para o publico infanto-juvenil, mas são tantas as reflexões que provoca, que com certeza agradará também o leitor mais experiente.

 

  • Um outro país para Azzi (2012)

Sarah Garland

Editora Pulo do Gato

R$ 42,10

Americanah

AmericanahJá tinha escutado diversos comentários elogiosos a esta escritora, mas na sua frente sempre passava a leitura de outro autor, depois outro e mais outro, e assim, Chimamanda Ngozi Adichie acabava por ficar em um dos últimos lugares na longa lista de autores que pretendo ler um dia.

Finalmente, decidi que nada iria se interpor à leitura de Americanah e, com vontade, mergulhei nas suas 514 páginas. Não me arrependi.

A trama do livro gira em torno de Ifemelu, uma jovem nigeriana, apaixonada por Obinze , que no final da década de 90 emigra para os EUA para concluir os estudos universitários.  A Nigéria vive sob uma ditadura militar, a educação está um caos e os professores entram constantemente em greve para receber os salários atrasados. Se Ifemelu consegue facilmente um visto, a mesma sorte não tem Obinze. Por medo do terrorismo, os americanos ficaram mais exigentes em emitir vistos para jovens estrangeiros, principalmente aqueles oriundos de países onde a religião muçulmana é predominante.

O choque cultural é grande, mas o que mais a incomoda é o racismo mal disfarçado. A cor de sua pele que, até então, nunca fora um problema, a coloca em uma categoria bem definida e desfavorável.

Para expressar seu inconformismo, Ifamelu escreve um blog onde comenta as nuances de tratamento e as diferentes oportunidades que existem para os negros africanos e os negros americanos.

(…) Existe uma hierarquia de raça nos EUA. Os brancos estão sempre no topo, especialmente os brancos de família anglo-saxã e protestante, conhecidos como WASP, e os negros sempre estão no nível mais baixo, enquanto o que está no meio depende do tempo e lugar (ou como dizem aqueles versos maravilhosos: ”se você é branco, tudo bem; se você é marrom, fique por aí; se você é negro volte para casa!”). (…)

Após 13 anos sem visitar a Nigéria, são tantas as saudades que Ifemelu decide voltar definitivamente para casa. Mas, mais uma vez, a adaptação não é fácil. O machismo; a preocupação em ostentar riqueza – não importando como foi obtida; a falta de opções para as mulheres fora de um casamento com um “bom partido”, tudo isso a incomoda profundamente. Não é que ela tenha voltado uma Americanah (termo pejorativo para quem volta do estrangeiro criticando tudo à sua volta), mas, definitivamente, ela não é mais a mesma. A única coisa que não mudou é o sentimento que sente por Obinze, o grande amor de sua vida, de quem se afastou nos últimos anos.

Americanah é um livro que se lê com gosto. A leitura flui ao mesmo tempo em que leva o leitor a refletir sobre temas tão diversos como o que é ser emigrante, a obrigação de alisar o cabelo e a irracionalidade do racismo.

Por mais que seja impossível uma pessoa de pele clara “calçar os sapatos” de outra de pele mais escura, é importante que a escute e a perceba. Para que, de uma vez por todas, se compreenda que julgar as competências ou o caráter de uma pessoa pela cor de sua pele ou pela textura de seu cabelo não faz o menor sentido e é uma completa e total estupidez.

 

Vencedor do National Book Critics Circle Award.
Eleito um dos 10 melhores livros do ano pela NYT Book Review.
Direitos para cinema comprados por Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por Doze anos de escravidão.

 

  • Americanah

Chimamanda Ngozi Adichie

Editora Companhia das Letras

R$ 54,00

R$ 38,00 (E-Book)

A lista de desejos – parte 2

 

Dar por encerrada uma lista com os livros que pretendo ler é tarefa inglória, fadada ao insucesso, e ainda bem que é assim!

Afinal como resistir às novas resenhas que leio ou às indicações feitas por amigos e leitores do blog?

Na minha lista original constavam os seguintes livros:

Se-so-me-restasse-uma-hora-de-vida

Se só me restasse uma hora de vida – Roger-Pol Droit – Bertrand (escritor francês)

A capa e o título provocador do livro chamaram minha atenção. O autor é um filósofo acostumado a destrinchar temas complexos para um publico leigo no qual me incluo. A conferir.

 

 

A pirâmide do café – Nicola Lecca – Bertrand (escritor italiano)

Este livro foi considerado um dos dez melhores romances italianos de 2013. Ao pesquisar um pouco mais sobre ele, interessei-me pelo tema abordado: “de maneira delicada e emocionante, mostra um jovem ingênuo de cidade pequena que vai entendendo as complicações da vida em uma metrópole. O autor desenvolve uma crítica à sociedade e ao mercado de trabalho, onde aquele que pensa diferente e que busca novas soluções é quase sempre alvo de outros funcionários.”a-piramide-do-cafe

 

 

 

 

 

 

A-imperatriz-de-ferroA Imperatriz de ferro: a concubina que criou a China moderna – Jung Chang – Companhia das Letras (escritora chinesa)

A biografia de uma concubina, que imperou a China por quase meio século, tem que ser no mínimo fascinante, principalmente quando escrita pela autora do imperdível Cisnes Selvagens.

 

 

O fio da vida – Kate Atkinson – Globo Livros (escritora inglesa)

Este livro foi considerado um dos 5 melhores romances de 2013 pelo jornal New York Times, o que não deixa de ser uma excelente recomendação. Além de ser um fenômeno de crítica e público, o seu tema é bastante  instigante: “E se você pudesse mudar as escolhas da sua vida? E se ao nascer de novo, refazendo sua trajetória, pudesse mudar o destino de outras pessoas e até o curso da história?”O-fio-da-vida

 

 Dias Perfeitos – Raphael Montes – Companhia das Letras (escritor brasileiro)

Só tenho lido críticas elogiosas a este suspense escrito por um carioca de apenas 23 anos. Depois que assisti à sua entrevista no programa de Jô Soares fiquei ainda mais interessada em ler o livro.

Raphael-Montes
http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/v/jo-conversa-com-o-autor-raphael-montes/3269040/

 

sete-anosSete anos – Fernanda Torres – Companhia das Letras (escritora brasileira)

Considerei a estreia da atriz de televisão/cinema/teatro no mundo da literatura um grande sucesso. Nada mais natural que queira acompanhar de perto seu mais recente trabalho.

 

 

 

À lista original novos títulos foram acrescentados:

A balada de Adam Henry de Ian McEwan e Judas de Amós Oz, ambos publicados pela Companhia de Letras, e, por indicação de uma leitora do blog, O oitavo selo de Heloísa Seixas da editora Cosac Naify.

Oitavo-selo

 

Oh céus, onde encontrar tempo para ler tudo o que desejo?

A lista de desejos – parte 1

QueriaVerVoceFeliz (243x349)O meu aniversário se aproxima, o Natal chega logo depois, e a lista dos livros que gostaria de ganhar de presente está pronta!

Como ainda estamos no início de novembro, com certeza, ela será acrescida de muitos outros “Quero ler!”

Até o presente momento são estes os meus desejos:

Queria ver você feliz – Adriana Falcão – Intrínseca       (escritora brasileira)

No livro, a autora fala do relacionamento amoroso e tumultuado de seus pais. Conhecendo os trabalhos ficcionais de Adriana tenho certeza que o tema será tratado de maneira delicada e inteligente.

A 25ª hora

 

A 25ª hora – Virgil Gheorghiu – Intrínseca       (escritor romeno)

Faz muito tempo que li este livro. Apesar de não recordar bem da história, lembro que na época sua leitura me marcou bastante. Chegou a hora de conferir se o impacto continua o mesmo.

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Meio Sol amarelo – Chimamanda Ngozi Adichie – Companhia das Letras       (escritora nigeriana)

No momento leio um livro desta jovem autora e estou gostando muito! Pretendo conhecer toda a sua obra.

 

 

A casa do califa: um ano em Casablanca – Tahir Shah – Roça Nova Editora       (escritor inglês de origem afegã)

Estive com o livro nas mãos há uns quatro anos. Recentemente li uma matéria da jornalista Cora Ronái recomendando-o vivamente. As suas indicações costumam ser ótimas, vou conferir.

A_CASA_DO_CALIFA

 

 

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O que eu sei de verdade – Oprah Winfrey – Sextante       (escritora norte-americana)

Sou tão fã de Oprah que fiz uma assinatura de sua revista. Essa mulher transmite otimismo, perseverança, e suas crônicas são inspiradoras.

 

A casa redonda – Louise Erdrich – Alfaguara       (escritora norte-americana)

Este já chega como vencedor do prestigiado prêmio literário norte-americano National Book Awards de 2013 na categoria ficção. Pelas resenhas que li trata-se de um livro “que fala de sentimentos poderosos e lança nova luz sobre a maneira como a maturidade pode alterar a relação entre pais e filhos” tem tudo para me agradar.

A casa redonda

 

Semana que vem tem mais!

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