As doze tribos de Hattie

As-12-tribos-de-HattieNão quero que o livro termine, não quero que o livro termine… mas inevitavelmente cheguei ao final do excelente As doze tribos de Hattie.

A história ambientada nos EUA é simples. Embora a escravidão tivesse sido abolida oficialmente no final do séc XIX, continuaram a vigorar nos estados do sul as leis Jim Crow que mantinham e estimulavam a segregação entre brancos e negros. Essas leis – que só seriam revogadas em 1964 – impediam os negros de votar e frequentar os mesmos lugares públicos que os brancos.

Para fugir a essa dura realidade muitos ex-escravos e respectivas famílias migraram para as cidades do norte em busca de melhores condições de trabalho e de uma vida mais humana.

O mesmo aconteceu com Hattie. No entanto, após uma chegada auspiciosa na Filadélfia sua vida desmorona ao presenciar impotente a morte de seus filhinhos gêmeos e ainda bebês, durante o rigoroso inverno. Essa perda a marcará tão profundamente que nem mesmo a chegada de uma prole numerosa lhe devolverá a esperança e a meiguice que possuía quando fugiu do seu estado natal.

As histórias de sua descendência revelarão uma Hattie contraditória. Por vezes frágil outras vezes resoluta e briguenta. Uma mãe zelosa, mas também causadora de muitas mágoas. Uma mulher sensual e apaixonada, que por amor aos filhos abre mão da única oportunidade em recomeçar e, quem sabe, ser feliz.

“Ela os havia desapontado de formas vitais, mas de que adiantaria passar os dias aos beijos e abraços se não havia nada para por na barriga deles?”

As doze tribos de Hattie é o primeiro romance de Ayana Mathis. Sua narrativa enxuta e inteligente foi eleita pelo The New York Times como uma das melhores publicadas em 2013. Concordo com a opinião do jornal.

 

  • As doze tribos de Hattie

Ayana Mathis

Editora Intrínseca

R$ 19,90

Vestida de verde

Uma Pincelada de CopaA 20ª Copa do Mundo começou há poucos dias. Confesso que não sou grande fã de futebol, mas de quatro em quatro anos sou uma torcedora apaixonada.

Vibrei com a vitória do primeiro jogo do Brasil e sofri com a derrota de Portugal. Se os dois países vierem a se enfrentar o meu coração ficará bem dividido. Enquanto o confronto não acontece me visto de verde e torço por ambos.

Nas livrarias é grande a quantidade de livros que falam sobre o esporte. Tem para todos os gostos. No meio de tantas opções encontrei Uma Pincelada de Copa de Marcelo Stern.

Mesmo tendo como publico alvo crianças entre 6 e 12 anos o livro agradou-me bastante e muito aprendi com sua leitura.

Em uma conversa despretensiosa um avô responde às perguntas da neta e comenta sobre todas as Copas que aconteceram até os dias de hoje.

Pois é, não sabia que o Brasil fora convidado a sediar a Copa de 1950 porque a Europa ainda se recuperava dos estragos físicos e econômicos da 2ª Guerra Mundial.

Que poderia ter sediado outra em 1986, mas não o fez pelos mesmos motivos da Colômbia, escolhida inicialmente para realizá-la. Naquela época ambos os países enfrentavam uma séria crise financeira e dependiam da ajuda do FMI que exigia austeridade nos gastos e aumento de tributos.

Por isso o campeonato desse ano acabou sendo realizado no México, e por pouco também não acontece. Desta vez o motivo não seria econômico, mas o grande terremoto que abalou o país no ano anterior.

Esse não foi o único terremoto que quase acaba com uma Copa antes mesmo dela começar. Outro bem mais violento, ocorrido 25 anos antes, quase impossibilita o Chile de realizar o campeonato em 1962.

No entanto a determinação e o entusiasmo do presidente organizador do evento Carlos Dittborn Pinto reverteram esse prognóstico. Entre os escombros de um país destruído conseguiu levantar o ânimo da população ao afirmar: Porque no tenemos nada, queremos hacerlo todo! (Porque não temos nada, queremos fazer tudo).

Infelizmente este homem extraordinário não chegou a ver seu sonho realizado. Um mês antes do inicio da competição e com apenas 38 anos morreu de uma pancreatite aguda.

Uma pincelada de Copa pode ser apreciado por toda a família, e com certeza tornará as conversas feitas nos intervalos dos jogos muito mais acaloradas e interessantes.

 

 

 

  • Uma pincelada de Copa

Marcelo Stern

Humanidades Editora e Projetos

R$ 37,00

Grande Irmão

????????Gosto de como os romances de Lionel Shriver são escritos e de seus finais impactantes.

Sempre me surpreendo com a capacidade da autora em abordar os temas mais diferentes e não me desapontei com Grande irmão. Desta vez ela desnuda um tema espinhoso: a obesidade.

Aparentemente Pandora tem tudo o que uma mulher pode desejar. Ama e é correspondida por Fletcher, um homem metódico e de hábitos espartanos com quem casou.  Não tem conflitos com os filhos adolescentes que ele trouxe de um casamento anterior e complicado. A vida profissional é mais do que confortável. Na verdade é um sucesso com direito a ter a próprio rosto estampado na capa das principais revistas do país. Mas uma insatisfação que não sabe explicar ou definir a incomoda. Sua vida é perfeita demais, acomodada demais.

Mal pode imaginar a revolução que está por vir quando convida o irmão mais velho – no momento desempregado -e que não vê há mais de quatro anos, para passar uma temporada com ela e sua família.

Difícil acreditar que aquele homem obeso, que necessita ser retirado do avião em uma cadeira de rodas, seja o seu irmão Edison, o pianista de jazz arrogante, que costumava tocar nos mais descolados clubes de Nova Iorque.

A convivência do ascético Fletcher com o desregrado cunhado é tudo menos pacífica. Pandora tem dificuldade em equilibrar os laços fraternais, plenos de cumplicidade e afetos, com os laços mais recentes que paulatinamente veem construindo uma nova família.

“Meu paladar ficou mais amplo na idade adulta, mas não o meu caráter. Sou como o arroz branco. Sempre existi para dar destaque a pratos mais empolgantes. Fui um complemento quando menina. Sou um complemento agora”. (Pandora)

Quando chega a hora do irmão ir embora, ela toma uma decisão drástica e polemica. Determinada em restaurar a saúde física e psicológica do irmão – afinal a obesidade só pode ser fruto de uma depressão – decide abandonar temporariamente a própria família e cuidar pessoalmente de Edison.

A escolha de Pandora não é nada fácil. Como pode dar as costas ao sofrimento do irmão, sabendo que se o apoiar estará pondo em risco a própria felicidade e a vida que escolheu para si? No entanto se o ignorar como conviver com as consequências que, com toda a certeza, serão nefastas?

Além de abordar a lealdade entre irmãos e a responsabilidade que temos para com aqueles que amamos, outros temas são abordados.

Que feridas profundas levam uma parcela expressiva da população americana adoecer por excesso de comida? Numa sociedade em que todos olham para o próprio umbigo e buscam a qualquer custo serem idolatrados e reconhecidos, a necessidade de se empanturrar de comida seria uma forma de compensar a frustração pelos desejos não realizados e gritar “Olha eu aqui! Preste atenção em mim! CUIDE de mim!”?

Grande Irmão não tem o impacto demolidor de Precisamos falar sobre Kevin, mas é tão provocador quanto o “irmão” mais famoso, além de possuir um final surpreendente.

A leitura fica mais interessante quando se sabe que Grande Irmão foi escrito pouco tempo depois de a autora ter perdido o próprio irmão por complicações decorrentes de uma obesidade mórbida.

 

  • Grande Irmão

Lionel Shriver

Editora Intrínseca

R$ 29,90

eBook R$19,90

Que livraço!

Qual foi o ultimo LIVRAÇO que leu?

Falando em Literatura...

Estou lendo “Um cão uivando para a lua”, de Antônio Torres, e não existe palavra para qualificar essa obra rapidamente, a não ser uma que ainda não está no dicionário: “livraço”. Então acabei de criar a campanha para que a palavra #livraço entre no dicionário. Copie e cole a imagem abaixo no seu Facebook, Twitter, blog, Instagram, na testa, aonde você quiser…hahaha…Vamos brincar? Porque todo livro muito bom merece um superlativo à altura!

356721-admin

 #livraço  #livraço   #livraço

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