Impulsos Incontroláveis

Com toda a tranquilidade, sem olhar para o relógio uma vez sequer, despreocupada de afazeres e compromissos, circulei por entre prateleiras e estantes de livros. Peguei um, depois outro, li a orelha e a contracapa, coloquei-o de novo no lugar e escolhi outro e mais outro.

A vendedora solícita aproximou-se perguntando se precisava de ajuda. “Não, por enquanto não” respondi, e continuei meu garimpo solitário. Em pouco tempo, o peso dos livros que segurava desajeitadamente deixou meus braços cansados. Atenta, a vendedora entregou-me uma sacola de lona para que os carregasse melhor e perguntou se não gostaria de examiná-los com mais conforto na cafeteria localizada no andar de cima da livraria. Encantada, aceitei a sugestão.

Pilha-de-LivrosAcomodei-me numa mesa grande e espalhei os livros escolhidos, inclusive as três recomendações feitas pela vendedora que, por fim, decidi acatar.

No total eram nove títulos, sendo que dois foram rapidamente descartados por não corresponderem a uma primeira e superficial avaliação. Alternando mordidas no misto quente e goles de refrigerante light, olhei gulosa para os livros que se encontravam diante de mim.

Nu, de botas, de Antonio Prata
Por que ser feliz quando se pode ser normal?, de Jeanette Winterson
A Trégua, de Mário Benedetti
Eu sou proibida, de Anouk Markovits
A pianista, de Elfride Jelinek
De Verdade, de Sandór Márai
Todo mundo tem uma história para contar, da editora Olhares.

Devagarinho, degustei algumas linhas e, eventualmente, um parágrafo inteiro de cada um deles. Se a leitura foi calma e vagarosa, o mesmo não se pode dizer do tempo. Quando ergui os olhos da folha, a garçonete estendeu-me a conta. Era hora de encerrar as atividades do dia.

E agora, qual deles escolher? Senti a velha e conhecida ansiedade de QUERO TODOS crescer dentro de mim. Decidi levar quatro. Não, era demais. Lembrei-me de todos os livros intocados que se acumulavam na minha mesinha de cabeceira. Não! Escolha rápido um só, apenas um! Peguei um deles e, sem olhar para trás, dirigi-me com determinação para o caixa.

No caminho meu olhar cruzou com Receitas de Terra & Mar, de Nícia Maria Dantas. Mas não estava esgotado? Parece que não mais. O livro fora reeditado ano passado por outra editora, vinha com novas receitas e a capa agora era dura.Receitas-de-Terra-e-Mar

Quando, atrás de mim, escutei a chave trancar a porta de vidro da livraria, levava comigo A Trégua, recomendação da vendedora, e o livro de culinária ao qual não pude resistir.

Com um misto de culpa e satisfação constatei que não foi ainda desta vez que consegui controlar meus impulsos.

 

 

As excelentes indicações de Patrícia (vendedora da Livraria da Vila na Alameda Lorena -SP) foram: A Trégua, A Pianista, e De Verdade

    .

 

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Lau Yamazaki
    maio 06, 2014 @ 09:35:59

    Que maravilha, Paula.
    Passo por isso toda vez que entro em uma livraria. E te digo: é muito difícil mesmo controlar os impulsos. Ainda mais quando a leitura é um grande prazer.
    Boa diversão. Abraços.

    Responder

    • fagulhadeideias
      maio 06, 2014 @ 17:05:55

      Acredita que fiquei quase 5h na livraria??? Acho que a ultima vez que isso aconteceu foi quando ainda trabalhava em uma.
      Dê uma atenção especial às dicas de Patrícia. Elas são muito boas.
      Abraço

      Responder

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