Para Antonio, que ainda vai nascer

Antonio-Beatriz-BracherSe o intuito fosse apenas escandalizar diria que o livro Antonio conta a histórias de dois homens – pai e filho – que, distanciados no tempo, amaram e engravidaram a mesma mulher.

No entanto se o fizesse, estaria aviltando e cometendo uma injustiça para com o belo romance da escritora Beatriz Bracher.

Tanto o pai Xavier quanto o filho Theo, cada um na sua época, não se conformaram com os convencionais destinos familiares, que supostamente deveriam acatar. Ao trilharem as próprias escolhas terminam por mergulhar na loucura.

“Supunham que a loucura e a miséria não carregam em si a capacidade de destruir o que encontram pela frente. Eram tão especiais e superiores que podiam brincar de pobres e loucos.”

Será pensando no futuro do filho Antonio, prestes a nascer, que Benjamim irá procurar saber quem realmente foi seu avô, seu pai e a mulher que alteraria para sempre o caminho dos dois, aquela que seria também a sua mãe.

Os três já morreram, mas ressurgem fortes e complexos ao serem evocados nas lembranças de Haroldo e Raul – respectivamente os melhores amigos do avô e do pai – e nas recordações de Isabel, a mulher de Xavier e mãe de Theo.

Antonio é um livro enxuto, onde cada frase diz muito sobre as intrincadas relações familiares. Um livro que fala da busca de dois homens pela própria, a única Verdade, mesmo que o preço final seja inglório e fira profundamente quem inadvertidamente se aproximou do fogo insano da loucura.

“A vida nos machuca tanto de uma forma ou de outra, que acabamos nos transformando em seres inevitavelmente menores do que a juventude nos promete.”

 

Em 2007 este romance de Beatriz Bracher ficou em 3º lugar no Prêmio Jabuti na categoria Romance, e em 2º lugar no Prêmio Portugal Telecom de Literatura.

 

  • Antonio

Beatriz Bracher

Editora 34

R$ 35,00

O Segredo do meu Marido

O-segredo-do-meu-maridoPor puro preconceito quantos livros instigantes devo ter posto de lado sem mesmo dar-me ao trabalho de folhear?

Provavelmente isso teria acontecido também com O Segredo de meu Marido, de Liane Moriarty se não o tivesse recebido de presente de uma amiga, que, ao fazê-lo, o elogiou bastante.

É verdade que o titulo do livro, assim como a capa muito “mulherzinha”,  me deixaram um tanto ou quanto ressabiada. Não parecia ser o tipo de leitura que costuma me agradar. No entanto, quando observei com mais atenção a chamativa flor cor de rosa da capa, notei que as pétalas estavam despedaçadas. Elas tinham sido picotadas em mil pedacinhos. Ali não reinava a ordem, muito pelo contrário, ali reinava o caos!

E foi assim, com a curiosidade aguçada, que iniciei a leitura do livro. Após ler os primeiros parágrafos esbocei um sorrisinho desdenhoso, a história parecia ser mesmo frívola. Mas por que então continuei e li o segundo, o terceiro e o quarto capítulo, só me dando por satisfeita quando cheguei ao fim? Porque simplesmente O Segredo de meu Marido tem ritmo e é ótimo!

Admito que não o indicaria a um público masculino, mas para uma amiga ou uma cliente, caso ainda trabalhasse numa livraria, o faria com toda a certeza!

A trama gira em torno de um segredo revelado numa carta e como ele afetará a vida de três mulheres que, aparentemente, não têm qualquer conexão entre si.

A primeira é Cecília, a certinha e eficiência em pessoa, e também a responsável por minha primeira e desfavorável impressão (Ó céus, mais um personagem previsível!). Ela abrirá a caixa de Pandora, ou melhor, a fatídica carta que supostamente só deveria ser lida quando o marido morresse.

Depois vem Tess, que mora em outra cidade e cuja vida pessoal desmorona quando a prima, que é sua sócia  e também melhor amiga, comunica que está apaixonada pelo seu marido e é correspondida.

Por último tem a Rachel, uma mulher mais velha e amargurada que não consegue superar o fato da filha ter sido assassinada há mais de vinte anos.

O único ponto em comum entre elas é a pequena escola onde as duas primeiras estudaram e onde a terceira trabalha. Nada de muito significativo. Mas quando Cecília descobre e lê a  inimaginável carta do marido, as histórias começam a se interligar até ao desfecho final e impactante.

Com capítulos curtos e diálogos inteligentes O Segredo de meu Marido prende ou leitor (a) do início ao fim. É com certeza um livro impossível de se largar!

 

  • O Segredo do meu Marido

Liane Moriarty

Editora Intrínseca

R$ 29,90

E-book R$ 19,90

 

Deuses de Dois Mundos – mitologia dos Orixás

O-Livro-da-Traição

O carioca Paulo Jorge Pereira, mais conhecido como PJ Pereira, é um dos publicitários mais renomados nos EUA,  tendo recebido diversos prêmios incluindo o prestigiado Emmy por seu trabalho na minissérie de TV The Beauty Inside.

No momento encontra-se no Brasil para lançar O livro da traição, segundo volume da trilogia Deuses de Dois Mundos, publicado pela Livros de Safra.

A saga é inspirada na mitologia dos orixás africanos.

As noites de autógrafos acontecerão no Rio de Janeiro, dia 15 de maio, na Livraria da Travessa – Ipanema e em Salvador, no dia 19, na Livraria Saraiva – Shopping Iguatemi.

O primeiro título O livro do silêncio já vendeu mais de 12 mil cópias, e em breve será adaptado para o cinema.

O  booktrailler foi considerado um dos melhores produzidos em 2013 e é narrado por ninguém mais, ninguém menos que Gilberto Gil. Confira a seguir.

  • O livro da traição

PJ Pereira

Editora Livros de Safra

Brochura – R$ 49,90 / Capa dura – R$ 59,90)

 

Impulsos Incontroláveis

Com toda a tranquilidade, sem olhar para o relógio uma vez sequer, despreocupada de afazeres e compromissos, circulei por entre prateleiras e estantes de livros. Peguei um, depois outro, li a orelha e a contracapa, coloquei-o de novo no lugar e escolhi outro e mais outro.

A vendedora solícita aproximou-se perguntando se precisava de ajuda. “Não, por enquanto não” respondi, e continuei meu garimpo solitário. Em pouco tempo, o peso dos livros que segurava desajeitadamente deixou meus braços cansados. Atenta, a vendedora entregou-me uma sacola de lona para que os carregasse melhor e perguntou se não gostaria de examiná-los com mais conforto na cafeteria localizada no andar de cima da livraria. Encantada, aceitei a sugestão.

Pilha-de-LivrosAcomodei-me numa mesa grande e espalhei os livros escolhidos, inclusive as três recomendações feitas pela vendedora que, por fim, decidi acatar.

No total eram nove títulos, sendo que dois foram rapidamente descartados por não corresponderem a uma primeira e superficial avaliação. Alternando mordidas no misto quente e goles de refrigerante light, olhei gulosa para os livros que se encontravam diante de mim.

Nu, de botas, de Antonio Prata
Por que ser feliz quando se pode ser normal?, de Jeanette Winterson
A Trégua, de Mário Benedetti
Eu sou proibida, de Anouk Markovits
A pianista, de Elfride Jelinek
De Verdade, de Sandór Márai
Todo mundo tem uma história para contar, da editora Olhares.

Devagarinho, degustei algumas linhas e, eventualmente, um parágrafo inteiro de cada um deles. Se a leitura foi calma e vagarosa, o mesmo não se pode dizer do tempo. Quando ergui os olhos da folha, a garçonete estendeu-me a conta. Era hora de encerrar as atividades do dia.

E agora, qual deles escolher? Senti a velha e conhecida ansiedade de QUERO TODOS crescer dentro de mim. Decidi levar quatro. Não, era demais. Lembrei-me de todos os livros intocados que se acumulavam na minha mesinha de cabeceira. Não! Escolha rápido um só, apenas um! Peguei um deles e, sem olhar para trás, dirigi-me com determinação para o caixa.

No caminho meu olhar cruzou com Receitas de Terra & Mar, de Nícia Maria Dantas. Mas não estava esgotado? Parece que não mais. O livro fora reeditado ano passado por outra editora, vinha com novas receitas e a capa agora era dura.Receitas-de-Terra-e-Mar

Quando, atrás de mim, escutei a chave trancar a porta de vidro da livraria, levava comigo A Trégua, recomendação da vendedora, e o livro de culinária ao qual não pude resistir.

Com um misto de culpa e satisfação constatei que não foi ainda desta vez que consegui controlar meus impulsos.

 

 

As excelentes indicações de Patrícia (vendedora da Livraria da Vila na Alameda Lorena -SP) foram: A Trégua, A Pianista, e De Verdade

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