Apenas um ligeiro tremor

No início do mês foi noticiado mais um terremoto no Chile. Na verdade foram dois tremores de terra. O primeiro de magnitude 8,2 na escala Richter, e o segundo, sentido dois dias depois, de menor intensidade. Mas nenhum pode se comparado aquele que aconteceu em fevereiro de 2010, quando morreram 723 pessoas.

Na verdade o ano de 2010 começou muito mal. Em janeiro o frágil e paupérrimo Haiti foi atingido por um abalo sísmico que deixou um rastro de destruição com 300 mil mortos. Até hoje o país não se recuperou dessa tragédia.

A devastação causada por cataclismos naturais costuma ser enorme. Em dezembro o mundo relembrará o tsunami que há dez anos invadiu as praias paradisíacas da Indonésia, destruindo o futuro de muitas famílias que ali se encontravam para comemorar as festas de final de ano.

Guardo comigo a lembrança de acordar, numa longínqua madrugada de inverno, com o matraquear nervoso provocado pela medalha do anjo da guarda, ao se bater freneticamente contra o espaldar da cama. Depois, esta começou a  tremer e minha irmã que dormia na cama ao lado, também acordou assustada. Ouvi gritos no corredor, e nossa mãe entrou no quarto segurando uma vela acessa, porque não só a casa, a rua, mas todo o bairro estavam sem luz. Foi um tremor de terra, o ultimo e o maior sismo que aconteceu em Portugal no séc. XX.

Todos esses eventos aguçaram minha curiosidade e a vontade de ler relatos sobre terremotos, saber como esses momentos de angustia foram percebidos pelos sobreviventes e como conseguiram retomar suas vidas após o cataclismo.

quando-lisboa-tremeuPor isso foi com interesse que comecei a leitura de “Quando Lisboa tremeu – o terremoto histórico de 1755 (…)” de Domingos Amaral. Supus que seria uma boa oportunidade para aprender sobre um período da história de Portugal do qual pouco sei, conhecer melhor a figura controversa e carismática do então secretário dos Negócios Estrangeiros e da Guerra – posteriormente Marquês de Pombal, e saber qual foi o impacto dessa catástrofe nas finanças do Estado.

Infelizmente o livro pouco respondeu às minhas perguntas. Com efeito, trata-se de uma boa história de aventuras que se lê com gosto, mas pouco mais oferece. A descrição das catástrofes é muito convincente, tem-se uma noção bem nítida de como tudo deve ter acontecido, mas os personagens parecem saídos de um folhetim. O motivo que levou o futuro marquês a ordenar o fechamento do porto e cercar a cidade de Lisboa – proibindo a entrada e a saída da população – parece piada. Quando vivo Sebastião José de Carvalho e Melo deve ter ouvido muitas mentiras a seu respeito, mas com certeza, se reviraria no túmulo se escutasse mais esta.

Quero com isto dizer que não gostei do livro? Não. Então, que não o darei de presente? Também não é verdade. O que posso dizer é que não o guardarei na estante.

 

  • Quando Lisboa tremeu 

Domingos Amaral

Editora Casa da Palavra

R$ 53,00

 

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