Guerreiras da Paz

Guerreiras da PazLi  “Guerreiras da Paz” de Leymah Gbowee de um folêgo só, e ao terminar pensei: Como é possível que esta mulher já tenha realizado tanta coisa antes mesmo de completar 40 anos? Que vida… Quantas lutas!

Em 2011, juntamente com Ellen Johnson Sirleaf e Tawakkul Karman, Leymah recebeu o prêmio Nobel da Paz por mobilizar as mulheres de seu país – Libéria – a lutarem, de forma pacífica, contra a guerra civil que se arrastou durante 14 anos.

Sua história de vida é impressionante. Tinha apenas 17 anos quando os conflitos começaram e, por causa deles, enterrou o sonho de um dia vir a ser pediatra.

Em um campo de refugiados em Gana, conheceu aquele que viria a ser o pai de seus filhos. O relacionamento não deu certo. Ele além de mulherengo era também violento, e Leihmah o abandonou mesmo estando grávida pela quarta vez.

Refugiou-se em casa dos pais. Tinha 26 anos e sentia-se um autêntico farrapo humano. Semanas, meses se arrastaram até que percebeu o quanto seu comportamento era nocivo para as crianças. Contando com o apoio da mãe decidiu voltar a estudar. O curso técnico de assistente social exigia experiência prática, e por essa razão aceitou trabalhar como voluntária no Projeto Cura do Trauma da Federação Luterana.

Mal sabia que estava dando o primeiro passo para se tornar uma Construtora da Paz.

Construir a paz é tratar das pessoas vitimadas pela guerra, fazer com que se fortaleçam outra vez e trazê-las de volta para o povo de onde saíram. É ajudar os algozes a recuperar sua humanidade de modo que possam voltar a ser membros produtivos de suas comunidades. Construir a paz é ensinar ao povo que se pode resolver um conflito sem pegar em armas. É restaurar sociedades em que as armas foram empunhadas  e torná-las não apenas integras, mas melhores”.

Mulheres-pacifistas-Libéria

Num país destroçado pela guerra civil as demandas eram incessantes, e Leymah nunca mais parou. Dividida entre trabalho, estudos, filhos e um novo companheiro, o tempo era pouco, muito pouco para tudo o que precisava ser realizado. Como uma bola de neve o número de reuniões, grupos de trabalho e responsabilidades aumentavam vertiginosamente.

O livro de memórias não narra apenas a trajetória exitosa do seu projeto de vida, mas as dificuldades pessoais por que passou.Difícil não poder se dedicar à educação dos filhos, não estar presente quando adoeceram ou receberam uma premiação na escola. Simplesmente Leymah não teve o direito de vê-los crescer.

Lidar com a inveja de algumas companheiras de grupo também não foi fácil, a ponto de se perguntar se não seria melhor largar tudo. Sua projeção como líder incomodava bastante e vários comentários mentirosos foram desferidos contra seu caráter e modo de agir.

Corajosa, não esconde as dificuldades que teve com a bebida, a maneira mais rápida que encontrou para relaxar e esvaziar a cabeça de todos os problemas que enfrentava diariamente.

Mas de onde vem a força desta mulher extraordinária? É ela mesmo que responde: de Deus. Uma noite sonhou com uma voz dizendo: “Reúna as mulheres para orar pela paz!”. Teria sido Ele o inspirador e o sustentáculo das mulheres liberianas cristãs e muçulmanas que, vestidas de branco, pacificamente se manifestaram até conseguirem derrubar o governo sanguinário e tirânico de Charles Taylor.

Em 2008, o filme Reze para que o diabo volte ao inferno foi visto pelos nova-iorquinos e recebeu o prêmio de melhor documentário no festival de Tribeca.

Anos mais tarde, discursando em Seatle, Leymah disse: “Nós (mulheres) somos os Mandela, somos os Ghandhi, somos os (Martin Luther) King!” E eu acrescento que sim, eles foram e são referências importantes, mas no momento o mundo precisa com urgência de mais mulheres como Leymah Gbowee.

  • Guerreiras da Paz

Leymah Gbowee

Editora Companhia das Letras

R$ 39,50

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