Um “vício” difícil de largar

lendo e-reader 3

Sou de um tempo em que, para desejar “Feliz Natal” a um parente residente no exterior, era necessário abastecer-se de uma dose extra de paciência.

Primeiro telefonava-se para a central telefônica e depois aguardava-se, quase o dia inteiro, a chamada internacional solicitada ser completada. Então, minhas irmãs e eu falaríamos rapidamente com os avós, sem responder às perguntas que nos eram feitas do outro lado do oceano Atlântico. Ao lado do telefone e em pé ficava nosso pai apressando-nos dizendo “fala rápido que esta ligação é muito cara”.

Internalizei de tal forma esses momentos de pura tensão que até hoje, apesar de todos os avanços tecnológicos, só faço ligações internacionais quando não dá para esperar uma resposta via e-mail ou aguardar que a mensagem enviada seja visualizada e respondida por What’s App.

Anos mais tarde recordo o encantamento, quase infantil, de meu pai ao ver as informações chegarem em questão de minutos via fax, quando antes era necessário aguardar dias e às vezes mais de uma semana a chegada do correio.

Já deu para perceber que nasci em tempos analógicos, e talvez seja por isso que mantenho o mesmo encantamento, toda a vez que entro na internet e  acesso um mundo de informações complementares à leitura que faço – no momento “Só para gigantes”. É claro que ela fica muito mais demorada, mas em contrapartida fica bem mais rica e interessante.

No caso específico, conheci uma raça de cães da qual nunca tinha ouvido falar, o Malamute. Confundidos, por quem é leigo, com o Huskie siberiano, são originários do Alaska, possuem olfato e senso de orientação excepcionais e  sobrevivem a temperaturas abaixo dos 50 graus negativos (uau !!!). Por último seus olhos são castanhos e não azuis como os “primos” siberianos.

Um pouco mais adiante paro e procuro no Youtube um documentário que fala sobre o protagonista do livro. Se normalmente é melhor imaginar o cenário, neste caso específico vale a pena confirmar o que está sendo lido e conhecer o verdadeiro personagem.

Depois deparo com uma citação de Albert Camus “(…) O essencial, em suma, é poder se zangar sem que o outro tenha direito a reagir. O poder permite decidir”. Forte e polémico, não? De qual livro seria? Faço uma rápida pesquisa e descubro que é “A Queda”. Pronto, mais um livro a ser incluído na lista dos “um dia vou ter que ler”.

Por mais que custe admitir, percebo que finalmente fui enfeitiçada pelo mundo digital de leitura. O eReader não parece mais tão assustador é apenas outro passo, entre tantos que já dei, no avanço ininterrupto das comunicações. Sei que a capitulação é inevitável, mas por enquanto continuarei encastelada dentro das livrarias, sejam elas megas ou de bairro, aspirando o perfume inebriante das páginas viradas de um livro.

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