Já ouviu falar na Isol?

Ter um patinho é util

Nome engraçado, não? Pois trata-se do apelido de Marisol Misenta nascida há 41 anos na Argentina.

Isol é uma artista multifacetada. Além de ilustradora é cartunista, escritora, cantora e compositora. No entanto, foram suas ilustrações que a tornaram mundialmente famosa e lhe renderam o prestigiado Prêmio Astrid Lindgren* no início deste ano.

É curioso que apesar de ser uma escritora renomada, e viver no país vizinho, só agora ganhou visibilidade no Brasil. Anteriormente já haviam sido publicados dois livros de sua autoria pela Fondo de Cultura, mas infelizmente com divulgação precária e uma distribuição nacional sofrível.

Fiquei encantada quando, ao fazer a minha “caça ao tesouro” na seção infantil da livraria, encontrei “Ter um patinho é útil” publicado pela editora Cosac Naify.

Simplesmente apaixonante! Pequenino, com um projeto gráfico muito caprichado este livro-brinquedo agrada desde crianças com mais de 2 anos até marmanjos que o percebem como um criativo objeto de design.

Mas afinal por que tantos elogios? Primeiro, o livro vem encartado de forma que as informações catalográficas não atrapalham a leitura da história propriamente dita. Ou melhor dizendo, das histórias. O livro parece uma sanfona, as páginas são duras e podem ser lidas de trás para frente ou vice-versa.

Depois as duas narrativas – a do menino e do patinho – são complementares, cada uma mostra um ponto de vista diferente. Tanto numa quanto na outra, os desenhos são idênticos feitos com traços firmes e simples. O truque para diferenciá-las é dado pelas cores utilizadas, azul e amarelo.

É uma história sem fim, começa-se por uma e continua-se na outra, e vira-se o livro uma, duas vezes, três vezes…uma delícia!

De sua autoria Isol já publicou mais de 10 livros infantis e ilustrou outros tantos. Tomara que este seja o primeiro de uma longa fila a chegar, com visibilidade, nas mãos de todos nós.

* Concedido pelo governo sueco o prêmio de US$ 770 mil é o de maior valor na sua categoria e o terceiro em todas as premiações literárias (o primeiro é o prêmio Nobel concedido também pelo governo sueco, e o segundo o Prêmio Planeta de Literatura outorgado pelo grupo editorial Planeta)

  • Ter um patinho é útil

Isol

Editora Cosac Naify

R$ 24,90

Três mulheres fortes

Três mulheres fortesCaso prefira uma leitura fácil e descompromissada desaconselho a leitura de “Três Mulheres Fortes”. Este é um daqueles livros que merecem ser apreciados com certo vagar.

A autora, Marie NDiaye, começou a escrever muito cedo, com 12 anos, e desde então não parou mais. Seus livros já receberam diversos prêmios, sendo o último, em 2009, o mais importante e prestigiado da literatura francesa – o Prêmio Goncourt .

A autora fala do que conhece bem. Assim como a personagem de uma das histórias, ela também é filha de mãe francesa e pai senegalês. Os desencontros culturais retratados nas duas primeiras narrativas não lhe são estranhos, e certamente escutou mais de uma vez, o relato que conta por último.

A prosa de Marie NDiaye tem força. Ela mergulha no íntimo dos personagens e revela de forma magistral o que eles têm de mais mesquinho e frágil.

Os parágrafos podem, inicialmente, parecer um tanto ou quanto cansativos, mas é graças a essa descrição minuciosa que as angústias e sonhos dos protagonistas passam a pertencer ao leitor.

Três mulheres vivendo situações limite transitam entre o Senegal e a França. Em mundos onde os homens ainda são algozes; uma sociedade destruidora de sonhos, mas  incapaz de aniquilar a chama interior que cada uma carrega dentro de si. Submissas por falta de opção aos respectivos destinos, mas nunca derrotadas.

  • Três Mulheres fortes

Marie NDiaye

Editora Cosac Naify

R$ 55,00

Leituras de Verão

Inhotim-MG

Mês passado saiu na capa do jornal O Globo a seguinte notícia: Estudo inédito do IBGE mostra que leitura ocupa só 6 minutos do dia dos brasileiros, nos EUA são 31 minutos.

Nos dias subsequentes aguardei uma enxurrada de cartas escritas por leitores indignados, mas infelizmente se chegaram não vi, nem li nenhuma. Acho que mais ninguém se espanta. Afinal, com tantos problemas mais sérios essa informação provavelmente é irrelevante e redundante.

Nesse meio tempo recebi de uma amiga, que trouxera de viagem e a guardara pensando em mim, uma revista Time do mês de julho.

Folheando-a encontrei seis páginas com indicações de leituras para serem desfrutadas nas férias de verão.

A matéria apresentava novos autores, que por sua vez diziam quais livros tinham sido significativos em suas vidas; personalidades de diversas áreas contavam o que estavam lendo ou pretendiam ler durante as férias; uma linha do tempo mostrava os livros que haviam feito sucesso em verões passados.

Enfim, uma infinidade de sugestões para todos os gostos. Desde clássicos como Guerra e Paz e Por quem os sinos dobram; passando por autores contemporâneos como Jhumpa Lahiri e seu maravilhoso livro de contos, Interprete de Males (infelizmente esgotado no Brasil); até best sellers como O Código da Vinci, A menina que brincava com fogo, e o mais vendido no ano de 2012: Garota Exemplar.

Lembro quando O código da Vinci foi lançado no Brasil e o comecei a ler bastante empolgada, sendo que lá pela metade do livro achei tudo muito sem graça, e assim que terminei a leitura desfiz-me dele o mais rápido possível. Nunca mais li nada de Dan Brown. *

Quanto à trilogia de Stieg Larsson a história foi bem diferente. Como não foi publicada toda de uma só vez recordo que li os dois primeiros livros bem devagar, de modo a desfrutá-los bastante, de tal forma que o tempo decorrido entre um e outro fosse o menor possível. Esses não foram descartados e ocupam um merecido espaço na estante.

Garota ExemplarNessa montanha russa de “boas” e “más” leituras resolvi conhecer aquele que ano passado foi o sucesso de verão nos EUA, o livro Garota Exemplar.

Definiria o livro como um irresistível junk food. Ambos devem ser consumidos com moderação, mas quando se leem as primeiras páginas ou se dá a primeira mordida, são viciantes e só se consegue parar quando terminam.

Férias existem para fazer o não convencional, dar um pulo fora da rotina cotidiana. Se vão ser utilizadas para ler aquele clássico que nunca se tem tempo ou mergulhar de cabeça no best seller descartável, elas estão aí para isso mesmo. O que importa é ler o que se tem vontade, simplesmente ler, e para isso as férias, sejam elas de Verão ou não, são perfeitas!!!

* apesar de ainda estarmos em setembro “Inferno” de Dan Brown já é considerado nos EUA o best-seller de 2013, tendo vendido desde seu lançamento em maio 1,2 milhões de cópias.

  • Garota Exemplar 

Gillian Flynn

Editora Intrínseca

R$ 39,90

e-book

R$ 24,90

Um pouco mais do mesmo

silencio das montanhas

Lembro-me perfeitamente da imediata ligação que fiz entre o terremoto ocorrido no Paquistão, em outubro de 2009, e o livro “O Caçador de Pipas” que devorava na época.

Estava tão envolvida na história dos dois garotos – encantada com o leal e bondoso Hassan, e sofrendo com o caráter do carente e medroso Amir – que ao escutar as notícias sobre a catástrofe tive a impressão que a tragédia acontecera em algum país bem próximo de mim.

Senti-me profundamente solidária com as vítimas – era como se as conhecesse pelo nome – apesar de estarem a milhares de quilômetros de distância.

O romance se desenrolava tendo como pano de fundo os acontecimentos políticos no Afeganistão – inicialmente os tempos de paz vividos em Cabul, depois a invasão do país pelos tanques da URSS, a fuga de milhares afegãos para o Paquistão e, terminando com a retomada da soberania nacional sob o regime violento dos Talibãs.

A lembrança do ataque às torres gêmeas ainda era recente, e o mundo ocidental começava a se interessar e a querer saber como vivia e pensava o mundo muçulmano – esse grande desconhecido.

O romance foi um tremendo sucesso mundial, e para mim um livro inesquecível e marcante.

Anos depois, do mesmo autor, li “A cidade do sol”. Desta vez a história girava em torno do sofrido e maltratado universo feminino, e mais uma vez gostei da história narrada. Por isso, aguardei com expectativa a chegada de “O silêncio das montanhas”.

Infelizmente o encanto havia se quebrado. Não é que o livro fosse ruim ou Khaled Hosseini não soubesse mais contar histórias, mas para mim a fórmula estava esgotada. Tudo o que era importante ser dito já havia sido feito nos livros anteriores.

“O silêncio das montanhas” é mais um romance acomodado, ideal para aqueles que procuram terreno seguro e conhecido, mas decepcionante para quem, como eu, desejava ser surpreendida pelo frescor de um novo “O Caçador de Pipas”.

  • O Silêncio das Montanhas

Khaled Hosseini

Globo Livros

R$ 39,90

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