O farol solitário

No jardim das feras

No Jardim das Feras”  é muito mais que um empolgante romance histórico. Além de ser um relato verídico é uma magnífica aula de História!

Corre o ano de 1933 e o presidente Franklin Roosevelt após várias tentativas frustradas para preencher o cargo de embaixador em Berlim, nomeia William E. Dodd – diretor do departamento de História e professor da universidade de Chicago – para ocupar a posição na Alemanha.

Certamente um professor universitário não seria o homem ideal para assumir essa responsabilidade. Aos 64 anos o maior propósito na vida de Dodd era encontrar tempo para terminar de escrever a história do “velho” sul estadunidense.

Desconhecia por completo as sutilezas e meandros do mundo diplomático e como ele mesmo se definiu: “não sou do tipo dissimulado, de duas caras, tão necessário para a tarefa de mentir lá fora em nome do país”. Mas como poderia recusar um convite feito pessoalmente pelo presidente?

Ao desembarcar na Alemanha com a família – mulher e um casal de filhos adultos – o novo embaixador chegou com duas missões extremamente espinhosas.

A primeira, cobrar o pagamento da dívida que o governo alemão fizera com banqueiros americanos – no valor de 1,2 bilhão de dólares; e a segunda, manifestar-se contra as perseguições infligidas aos judeus, sem prejudicar as relações entre os dois países e assim inviabilizar o pagamento da dívida.

Ao fazer esse protesto deveria também ser cauteloso, para não enfurecer as autoridades alemãs e provocar uma avalanche indesejável de emigrantes, numa época em que os EUA enfrentavam uma forte recessão e desemprego.

Quando chegaram a Berlim a impressão inicial foi bastante agradável. No seu diário Martha – filha do embaixador – escreveu o seguinte: “achei que a imprensa ((americana) tinha caluniado o país, e eu queria apregoar o calor e a afabilidade das pessoas, a suave noite de verão com sua fragrância de arvores e flores, a serenidade das ruas”.

Utilizando-se dos diários e correspondências de Dodd e Martha; dos relatórios trocados entre o embaixador e seus superiores; e de relatos escritos por membros da embaixada e consulado americano, o autor constrói um detalhado e angustiante panorama das mudanças ocorridas assim que  Hitler ascendeu ao poder.

Se no início Dodd fora suficientemente ingênuo em acreditar que por ser o embaixador dos EUA poderia influenciar e, até mesmo, manter uma conversa racional com o chanceler alemão, ao final do primeiro ano estava profundamente desapontado.

Durante quatro anos e meio tentou – inutilmente – convencer o Departamento de Estado norte-americano das aberrações que presenciava e do perigo que Hitler representava para a Paz Mundial. Tratado com condescendência e certa pilhéria retornou definitivamente ao seu país no final de 1937.

Em fevereiro de 1940, poucos meses depois de Hitler invadir a Polônia – dando início à Segunda Guerra Mundial – falecia aquele a quem o presidente Roosevelt chamou de “um farol solitário da liberdade e da esperança americanas numa terra onde as trevas se avolumaram”.

  • No jardim das feras

Erik Larson

Editora Intrínseca

R$ 39,90

eBook R$ 24,90

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Jusciney Carvalho
    ago 20, 2013 @ 13:57:57

    Parece ser muito interessante, Paula! Sua resenha está maravilhosa. Beijo!!

    Responder

  2. fagulhadeideias
    ago 20, 2013 @ 19:10:03

    Ju,
    O livro é ótimo! A filha do embaixador namorou ao mesmo tempo o cônsul francês, um espião soviético e o chefe da Gestapo. Só ela já merecia uma resenha!
    Beijo
    P.

    Responder

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