O bom leitor

Pilha-de-livros

Recentemente li uma entrevista* com o escritor Luis Antonio de Assis Brasil onde dizia que, para ele, o bom leitor era: “O que lê muito len-ta-men-te, buscando a fruição do texto, valorizando cada palavra, cada parágrafo. Um romance que exigiu seis anos de escrita, dúvidas, alegrias e pesares, não pode ser lido numa tarde”.

Realmente, o autor merece ter a sua obra apreciada com vagar e cuidado, mas como isso fica mais difícil de se conseguir a cada dia que passa!

Já comentei antes que não sou uma “devoradora” de livros. Normalmente permito-me uma leitura tranquila que dura em torno de uns quinze dias. Entretanto aquela vozinha interior não para de lembrar que, enquanto leio len-ta-men-te, outros tantos se acumulam. Dessa forma minha insatisfação é permanente, e as anotações de livros, que pretendo ler um dia, não param de crescer.

Recentemente acrescentei mais cinco títulos à lista. Os estilos são bem diferentes, e de autoras que não conheço. Curioso, só agora percebi que os escritores, pelos quais me interessei, são todos mulheres.

O primeiro é “Tipos de perturbação” um livro de contos bem curtinhos, escrito por Lydia Davis, autora americana, e ganhador este ano do prestigiado Man Booker Prize;  depois me interessei por ”O povo eterno não tem medo” primeiro romance de Shani Boianjiu, jovem escritora israelense, que narra o amadurecimento precoce de três amigas, que têm a pouca sorte de prestar o serviço militar obrigatório durante a guerra;  foi através do meu filho que ouvi falar, pela primeira vez, da jornalista Juliana Cunha autora do blog “Já matei por menos”. Os melhores textos foram reunidos em um livro editado pela Lote 42. Quero conhecer o trabalho desta escritora hipster**, que provavelmente logo o deixará de ser, visto que acaba de ser citada no blog de alguém com idade para ser sua mãe;  “Três mulheres fortesfoi escrito por Marie NDiaye e ganhou o prêmio Goncourt 2009. Marie é francesa, mas o sobrenome revela sua ascendência africana – o pai é senegalês;  por último na lista está “Quiçá” de Luisa Geisler, escritora brasileira selecionada pela revista Granta como integrante do grupo dos melhores jovens escritores brasileiros.

Haja tempo e dinheiro para ler tudo o quero!

* Jornal Rascunho  março 2003

**Algo ou alguém que está na vanguarda dos modismos culturais. Quando começa a ser popular ou lugar-comum deixa de ser hipster.

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Mariana
    jun 11, 2013 @ 12:10:56

    Olá, querida amiga!
    Tem tempo que não passo por aqui…a vida anda muito atribulada!
    Acredito que cada leitor, com cada livro, tenha seu modo particular de se deleitar com suas leituras. Eu, por exemplo, com alguns livros, leio um pouco a cada dia, com pena dele acabar…hehehe. Tem outros que a leitura é mais rápida, pois não conseguimos soltá-los. Outros que não conseguimos nem terminar, pois não nos prendem.
    Bom, de qualquer maneira, acho que cada leitor imprime sua forma particular de curtir cada livro.
    Beijos e saudade.
    Mariana

    Responder

    • fagulhadeideias
      jun 11, 2013 @ 13:58:03

      Gostei muito do seu comentário Mariana. Realmente há livros que se leem como se comêssemos pipoca ou chocolate – impossíveis de ler ou comer só um pouquinho. Depois tem aqueles para serem degustados, bem devagarinho e finalmente aqueles que nem deveriam ter sido comprados! Beijo, minha amiga. Saudades!

      Responder

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