Encontro no escuro

após-o-anoitecerLer o livro de um escritor que não se conhece é como marcar um encontro com um desconhecido. Pode dar tudo certo e ser apaixonante, pode-se querer uma segunda chance para conhecê-lo um pouquinho melhor, ou também pode ser completamente decepcionante.

Falaram maravilhas de Haruki Murakami – que ele era isto e aquilo, mas na minha frente sempre apareciam outras prioridades. Até que um dia, depois de muita insistência de uma amiga comecei a ler “Após o anoitecer”.

A leitura fluía de forma agradável, nada muito profundo ou complicado. Até que surgiu o primeiro “ruído” na nossa conversa. Quem era o homem embalado em plástico que aparecia na tela da televisão? De onde veio e para onde foi quando sumiu de vez? Afinal de contas, o que era mesmo que estava lendo??

No mundo real, outros personagens tiveram suas histórias lançadas ao ar como se fossem papel picado e fiquei sem saber onde caíram e que fim levaram, tudo muito asséptico e descartável.

Após o anoitecer” não me provocou nenhuma inquietação ou questionamento, nenhuma lembrança significativa e agradável.

Tratava-se, apenas, de mais um livro  a ser “esquecido” na sala de espera de um consultório médico ou no saguão de um aeroporto.

Com certeza não marcarei um novo encontro com esse escritor.

Após o anoitecer

Haruki Murakami

Editora Alfaguara

R$ 39,90

Ainda o melhor romance policial

Um grito terrível, um brado de horror e angústia, explodiu no silêncio do pântano. Esse grito medonho gelou o sangue em minhas veias.

O Cão Dos BaskervilleEnquanto lia “O cão dos Baskerville” perguntava a mim mesma, como era possível não ter lido nenhuma aventura de Sherlock Holmes, o maior detetive da literatura mundial? Como pudera ignorar, por tanto tempo, as histórias do famoso personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle?

A ambientação do romance não poderia ser mais sugestiva – primeiro, as ruelas congestionadas de Londres, onde espiões perseguem suas vítimas em cabriolés; depois a mansão sombria da família Baskerville, cercada de traiçoeiros pântanos que engoliam todos aqueles que desconhecessem o caminho correto de os atravessar, não importando se fosse homem ou animal.

Enquanto lá fora caía uma chuvinha fina (sem ilusões… moro em Salvador, a temperatura era de 25º) passei boas horas entretida com a leitura deste clássico de suspense, publicado inicialmente, em uma revista inglesa, entre agosto de 1901 a abril de 1902.

Um cão maligno e feroz matara, em épocas diferentes, dois membros da família Baskerville e tudo levava a crer que pretendia fazer o mesmo com o atual herdeiro da mansão. Sherlock Holmes e seu fiel amigo Watson são chamados para desvendar o mistério. De onde veio o animal? Faria ele parte do mundo dos vivos ou fugira dos infernos?

Considerado um dos primeiros best-sellers do século 20, este romance policial, ganhou nova edição de Bolso de Luxo pela editora Zahar. O livro vem com texto integral, 40 ilustrações originais e excelente tradução de Maria Luiza A. Borges, detentora de diversos prêmios nessa área.

Entre as muitas edições que podem ser encontradas nas livrarias, existe uma destinada ao publico infanto-juvenil que me agrada bastante. Publicada pela Companhia das Letras, “O cão dos Baskerville” teve o texto abreviado, possui bonitas ilustrações e oferece informações sobre o autor e a época em que transcorre a história. Faz parte da coleção “Clássicos Infantis”, composta de 14 títulos, entre os quais “20000 Léguas submarinas”, “Oliver Twist” e “Robinson Crusoé”.

O cão dos Baskerville CL

Não há pontas soltas na história, mas encontrei um pequeno deslize cometido pelo famoso detetive. Ao deduzir como uma das vítimas teria morrido afirmou: “É claro que sabemos que um cão não morde um cadáver (…)“.

Lamentavelmente, meu caro Sr. Holmes isso não é verdade. Durante o Egito Antigo os cães comiam cadáveres e por isso eram reverenciados como conhecedores dos segredos do outro mundo. Mais tarde, durante a Idade Média, chegaram a perder o prestígio de melhor amigo do homem por se alimentarem dos corpos das vítimas da Peste Negra.

O cão é um animal carnívoro e se estiver esfomeado comerá o que aparecer à sua frente. Infelizmente, foi dessa forma macabra que os comparsas de Bruno ex-goleiro do Flamengo deram sumiço ao corpo da amante dele assassinada em 2010. Mas essa é outra história, uma terrível e verdadeira história de terror.

Livre (Wild) – Trilha Sonora

No livro “Livre – a jornada de uma mulher em busca do recomeço” Cheryl Stayed cita diversas canções: Uma ou outra que sua mãe gostava, outras que lhe serviram de estimulo quando pensou em desistir da caminhada e aquelas que ajudaram a afastar o tédio e por vezes o medo. Algumas canções ela escutou ou foram cantadas por terceiros durante a caminhada pela Pacific Crest Trail.

Esta é a sequência da trilha sonora conforme aparece no livro:

Paper roses (Marie Osmond)
http://www.youtube.com/watch?v=pCHNHiADRxo

Country Roads (John Denver)
http://www.youtube.com/watch?v=znN8m0KAOGI

Gun (Uncle Tupelo)
http://www.youtube.com/watch?v=bbei3IAnUEs

Something about what happens when we talk (Lucinda Williams)
http://www.youtube.com/watch?v=7fT0MDQKew0

Smells like teen spirit (Nirvana)
http://www.youtube.com/watch?v=XH332wYtO6w

The most beautiful girl in the world (Charlie Rich) – minha favorita
http://www.youtube.com/watch?v=gzr2v9yNiEk

Pride and joy (Stevie Ray Vaughan)
http://www.youtube.com/watch?v=0vo23H9J8o8

Texas flood (Stevie Ray Vaughan)
http://www.youtube.com/watch?v=gzr2v9yNiEk

A case of you (Joni Mitchell)
http://www.youtube.com/watch?v=6voJjexENok

You shook me all night long (AC/DC)
http://letras.mus.br/ac-dc/608/

Red River Valley (George Strait)
http://www.youtube.com/watch?v=PupeWwhMbQc

Box of Rain (Grateful Dead)
http://www.youtube.com/watch?v=V4SqDx1vi4c

Harvest Moon (Neil Young)
http://www.youtube.com/watch?v=RMA-_ElvKsk

Um passo após o outro

Livre-Cheryl-StrayedForam quase 1.800 quilômetros andados a pé. Não, você não leu errado não, foi essa a distância percorrida, durante três meses, por Cherryl Strayed autora de “Livre – a jornada de uma mulher em busca de reconhecimento”.

Para ter uma noção do que isso significa, imagine uma caminhada feita em linha reta de Salvador a Curitiba (1.787,66 Km) ou então de Lisboa à Antuérpia (1.747,23 Km), longe não? E se disser que durante metade do trajeto foram usadas botas um número menor do que o correto? Dói só de imaginar!

Mas foi isso o que a autora fez há quase 16 anos atrás. Na época sua vida estava uma bagunça. Apesar de já terem transcorrido quatro anos desde a morte prematura da mãe, provocada por um câncer extremamente agressivo, Cherryl ainda não havia conseguido superar e aceitar a perda. O casamento, com o homem que amava, destruía-se rapidamente por causa das  traições que ela mesmo provocava, e como desgraça pouca é bobagem, “brincava” perigosamente ao se injetar com heroína.

O que a levou a trilhar a Pacific Crest Trail (PCT), sózinha e sem preparo físico, indo do deserto de Mojave, no sul da Califórnia, até à fronteira do estado de Oregon com Washington? Provavelmente, encontrar a pessoa que era antes de sofrer tantas perdas e curar, segundo suas palavras, o buraco que levava no coração.

Acompanhei com interesse as jornadas de Cherryl. Tanto a física – penosa na maior parte do tempo, mas repleta de paisagens deslumbrantes que se sobrepunham às dificuldades naturais da trilha; assim como a jornada interior e emocional– difícil de ser encarada, mas que no meio do silêncio e tranquilidade contagiante da natureza a forçaram a enfrentar os próprios fantasmas e medos.

Confesso que várias corri para a internet para pesquisar os lugares por onde ela passou e me deliciei sonhando em fazer as viagens oferecidas pela mega loja REI onde a autora comprou as roupas, mochila (apelidada de “a monstra”, de tão grande e pesada que era), e toda a parafernália necessária para efetuar sua aventura.

O livro chegou às livrarias dos EUA em março do ano passado e rapidamente obteve grande sucesso de vendas. Os direitos autorais foram comprados pela atriz Reese Whitherspoon e em breve deveremos vê-la interpretar o papel de Cheryl Strayed no cinema. Um filme para ser visto, boa história e visual de tirar o folego de qualquer um!

lake crater

Livre – a jornada de uma mulher em busca de recomeço

Cheryl Strayed

Editora Objetiva

R$ 39,90

%d blogueiros gostam disto: