Viajando por outras bibliotecas

O-rei-de-quase-tudo

Reproduzo a matéria que saiu na coluna Prelo, caderno Prosa e Verso, do jornal O Globo de sábado 23 de fevereiro:

A International Federation of Library Associations (IFLA) anunciou os 10 títulos brasileiros escolhidos para integrar o projeto O mundo por meio de livros ilustrados, que reúne anualmente centenas de obras de 30 países (…). Além de funcionar como uma lista de referência para bibliotecários de todo o mundo, a iniciativa promove uma exposição das obras durante a Feira do Livro Infantil de Bolonha (Itália), maior evento do gênero, e exibições fixas nas bibliotecas nacionais da França e Japão. Entre os livros selecionados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), estão “Pedro e Lua” de Odilon Moraes (Cosac Naify), “Até passarinho passa” de Bartolomeu Campos de Queirós e Elisabeth Teixeira (Moderna) e “O que os olhos não veem” de Ruth Rocha e Carlos Brito (Salamandra)”.

Fiquei curiosa em saber quais teriam sido os outros livros indicados pela FNLIJ, para integrar o projeto que tem como público-alvo crianças até 11 anos. E aqui estão eles:

Asa de papel de Gustavo Campos (Formato)

Bruxinha Zuzu  de Eva Furnari (Moderna)

Menina bonita de laço de fita de Ana Maria Machado (Ática)

Vizinho, vizinha de Roger Mello (Companhia das Letrinhas)

O menino marron de Ziraldo (Melhoramentos)

O rei de quase-tudo de Eliardo França (Global)

Macaquinho de Ronaldo Simões Coelho (FTD)

Todos estes títulos são verdadeiros “clássicos” da literatura infantil brasileira e continuam mais atuais do que nunca.

Entre eles, destaco O rei de quase-tudo.  Escrito e ilustrado pelo próprio autor, o livro ganhou o primeiro lugar, do primeiro prêmio, concedido pela FNLIJ em 1975. Desde então, a história do reizinho insatisfeito, que só queria ter mais e mais, vem auxiliando várias gerações de crianças a refletir sobre questões como autoritarismo, consumo excessivo e o que é preciso fazer para conquistar a paz interior. Uma leitura altamente recomendável!

O rei de quase-tudo

Eliardo França

Editora Global

R$ 29,00

Dez Mulheres

Afinal, todas nós, de um modo ou de outro temos uma história para contar.

Dez-mulheres-Marcela-SerranoSe ainda trabalhasse numa livraria, com certeza indicaria às minhas clientes, o livro Dez mulheres da escritora chilena Marcela Serrano.

A história deste romance é inteligente, múltipla e muito boa de ler.

Atendendo ao convite de Natasha – a décima mulher, psicanalista de todas elas, nove mulheres reúnem-se para compartilhar entre si, as respectivas experiências de vida.

Todas as narrativas têm uma característica em comum: A solidão, que se apresenta disfarçada de variadas maneiras.

Aquela que veio desde a infância e a que chegou com a velhice; a que surgiu por falta de um companheiro e a que se instala apesar do convívio a dois; a solidão por calar as dores sofridas no corpo e na alma e a imposta quando se reprimem os desejos mais íntimos. Por ultimo, a solidão que também pode ser um troféu a ser conquistado e, assim, aceita como uma opção legítima de escolha de vida.

Ricas, pobres, famosas ou não, idosas e jovens, impossível não se reconhecer em uma, ou outra, dessas personagens de temperamentos tão diferentes.

Mulheres guerreiras, que buscam romper as correntes invisíveis que as prendem para, finalmente, se reconciliarem com  as próprias  vidas.

Dez Mulheres

Marcela Serrano

Editora Alfaguara

R$ 39,90

Muito melhor agora (Much better now)

Surf e leitura combinam? Que nem pão com manteiga! Pelo menos, para o pequenino marcador de livros desta história, parece que sim.

Embarque nessa viagem e assista a este simpático vídeo.

O curta-metragem é uma realização da produtora de filmes portuguesa Salon Alpin e participou do 10º Festival Internacional de Cinema Infantil, realizado ano passado, e assistido em diversas cidades do Brasil.

Como gostaria de ter aprendido História

Tenho em mãos um livro encantador: “As origens de Portugal – História contada a uma criança de Rómulo Carvalho.

Editado pela Fundação Calouste Gulbenkein, reproduz, página por página, o livro escrito por um jovem professor, para ensinar a seu filho de sete anos as origens e o nascimento de Portugal.

O livro é muito bonito, com capa dura e sobrecapa. As páginas têm o tamanho um pouquinho maior que uma folha A4, e são a cópia fiel das originais que receberam o texto batido à máquina e os desenhos feitos a lápis de cor, e no maior capricho, pelo autor.

desenhos feitos pelo autorOs acontecimentos históricos são transmitidos de forma prazerosa e acrescidos de informações complementares que procuram aguçar a curiosidade de uma criança.

Fica-se sabendo que com a chegada dos mouros à Península Ibérica, os ancestrais dos portugueses e espanhóis aprenderam a fazer papel com as sementes da flor do linho; Que um rei muçulmano chegou a ter uma biblioteca com quatrocentos mil livros, todos escritos à mão! Que foram eles, também, que inventaram os números como os conhecemos hoje.

Mas a brincadeira não é esquecida e, depois de explicar o que é um castelo e como funciona de maneira diferente em tempos de paz e de guerra, o autor desenha um, em planta baixa, para ser recortado, colado e montado pelo filho.

O livro “As origens de Portugal” é informativo e amoroso. Ao mesmo tempo em que na função de professor transmite conhecimento, como pai, o autor não esquece de passar valores éticos:

“Ora, como te disse, o nosso Afonso tinha feito as pazes com o rei de Leão, Afonso 7º. Apesar disso, como já estava livre dos mouros, resolveu-se ir outra vez combater os galegos. Deves concordar que isto não é nada bonito. Quando se está em guerra e se pede a paz não se deve ir outra vez, atacar o inimigo desprevenido. Mas que queres? Foi assim que se passou e é assim que te conto.”

Apesar de ter sido escrito em 1940 o livro mantem um frescor todo especial. Recordei muita coisa e aprendi outras tantas, e quando terminei a leitura perguntei a mim mesma: Por que  não foi assim que a História de Portugal me foi ensinada?

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