Por enquanto agora

Quando criança minha mãe costumava proibir a leitura de certos livros dizendo que eram impróprios para a minha idade. Provavelmente porque descreviam cenas de sexo, tema tabu de muitas gerações e também pouco discutido na minha criação.

Aconselharia o mesmo para aqueles que ainda são jovens e pretendem ler Por enquanto agora, mas por outros motivos. É preciso maturidade, ter vivido o suficiente, para apreciar e reconhecer a coragem da autora em escrever este livro.

De coração aberto conta-nos sua infância em Minas Gerais, apresenta os avós, tios e finalmente seus pais. Dessa união amorosa entre pessoas com visões da vida diferentes, mas complementares, nascerão as quatro filhas.

Enquanto a mãe extremamente religiosa “acreditava na supremacia da vontade e no autodomínio” o pai defendia que “sonhar é de graça, é exercício de liberdade, é afirmação de desejo. Censurar a imaginação é o maior mal que se pode fazer a si mesmo”.

Depois nos falará da mudança da família para o Rio de Janeiro, quando ainda era capital do Brasil. Será ali num ambiente intelectualmente estimulante e libertador, mas ao mesmo tempo severo e ignorante no que se refere aos “fatos da vida”, que as quatro irmãs farão as escolhas determinantes de suas vidas:  a ida da irmã mais velha para o convento, a clandestinidade decorrente das escolhas políticas feitas pela segunda irmã, o fracasso do seu próprio casamento, e a carreira musical da irmã caçula no exterior.

Cobrindo um período de mais de trinta anos Maria Christina, fala sem pudores de suas inquietações, sonhos, amores, tristezas, conquistas, rupturas e perdas, estas tão inimaginavelmente dolorosas…

Terminei a leitura de Por enquanto agora, com várias frases sublinhadas. Pensamentos que acredito sintetizam o que se passa na alma de tantas mulheres. Por fim veio à lembrança a letra da canção Sangrando de Gonzaguinha:

Quando eu soltar a minha voz, por favor entenda
Que palavras por palavras eis aqui uma pessoa se entregando
Coração na boca, peito aberto, vou sangrando
São as lutas dessa nossa/(minha) vida que eu estou cantando…

Por enquanto agora

Maria Christina Monteiro de Castro

Editora Apicuri

R$ 38,00

4 Comentários (+adicionar seu?)

  1. A Viajante
    nov 30, 2012 @ 09:57:12

    Essa história parece ser bem interessante sim! E essa música de Gonzaguinha, depois do filme, ganhou um novo significado para mim… um beijo, amiga!

    Responder

  2. Mariana
    dez 04, 2012 @ 12:09:34

    Coisa linda, Paula! Mais um livro que deu vontade de ler…minha lista está crescendo!
    Beijo.

    Responder

    • fagulhadeideias
      dez 04, 2012 @ 16:42:35

      Mári, assim como a autora nós também só temos irmãs e podemos compreender muito bem, quando o pai dela ao procurar fazer cada filha especial “dividia entre as quatro os títulos de preferida, predileta, favorita e mais querida, e cada uma se acreditava revestida da primazia amorosa”. Achei simplesmente lindo!

      Responder

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