Cemitério de pianos 2

“(…) O tempo mistura a verdade com a mentira. Aquilo que aconteceu mistura-se com aquilo que eu quero que tenha acontecido e com aquilo que me contaram que aconteceu. A minha história não é minha. A minha história sou eu distorcido pelo tempo e misturado comigo próprio: com o meu medo, com a minha culpa, com o meu arrependimento.“

José Luis Peixoto é outro escritor português que, juntamente com Dulce Maria Cardoso esteve na FLIP deste ano e acabo de descobrir.

No entanto em seu país, este autor nascido em 1974, já é considerado como um dos mais proeminentes escritores do início do século.

Sua obra literária é plural e passeia por romances, poesia, e dramaturgia. Seus livros já foram traduzidos em mais de 20 idiomas e são sempre contemplados com elogiosas críticas.

Seu romance “Nenhum Olhar”, recebeu em 2001 o Premio Literário José Saramago, conferido a escritores de língua portuguesa com menos de trinta e cinco anos, e foi publicado no Brasil pela editora Agir.

Enquanto li “Cemitério de pianos” uma névoa diáfana me envolvia, como num sonho. Às vezes essa névoa vinha carregada de partículas luminosas, em outras era cinza, úmida e fria. A luz, ou a falta dela, é presença marcante neste romance.

A voz do pai já falecido se intercala com a do filho, uma atropela a outra, e ambas contam as histórias da família. Assim como os pianos, que se encontram abandonados no fundo da oficina, também ela se desgasta com o passar dos anos.

No entanto, assim como os pianos oferecem suas peças supostamente inúteis, para serem reutilizadas e dar vida a novos instrumentos, também a família delicadamente une, como se fossem notas musicais, as alegrias, mágoas e decepções vividas, e se reconstrói a cada nova geração, numa melodia infinita.

“Cemitério de pianos” é um romance lírico, lindo de ler!

Cemitério de pianos

José Luis Peixoto

Editora Record

R$ 42,90

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