O Urso e o Gato-Montês

Quando peguei neste livro de capa dura e bonitas ilustrações que se encontrava exposto na seção infantil, imaginei que fosse indicado para crianças. No entanto ao terminar sua leitura percebi que ele se encontrava na estante errada.

O Urso e o Gato-Montês é um conto japonês que, com muita delicadeza, narra a amizade de um urso e um passarinho que morreu. O urso leva sempre consigo uma caixinha, que confeccionou com o maior carinho e onde colocou o seu amigo. Quando ele tenta falar sobre a sua perda com os outros animais da floresta, estes apenas dizem que ele deve esquecer e seguir adiante com sua vida.O urso triste e com saudades fecha-se em seu quarto escuro. O tempo vai passando devagarinho, mas um dia o sol brilhante e o vento perfumado o empurram para fora de casa e o levam a dar um passeio.  É então que ele conhece um gato que também carrega uma caixa.

Este conto tem lindas ilustrações na cor cinza, que remetem a um sentimento de luto, mas que aos poucos são acrescidas de leves pinceladas de rosa, à medida que boas lembranças são compartilhadas entre o urso e o gato-montês.

Um livro que fala de amizades improváveis, da valorização do hoje, de perdas, do tempo de chorar, de enxugar as lágrimas e voltar a sorrir. Uma pequena joia para ler e guardar com carinho, ou dar de presente para alguém especial e que já “carrega uma caixa”.

O Urso e o Gato-Montês

Kazumi Yumoto / Komako Sakai

Brinque-Book

Substituíram a Bíblia

Chegar no quarto e ler antes de dormir alguns versículos reconfortantes da Bíblia, foi durante muito tempo a única leitura possível e disponível para a maioria dos hóspedes de um hotel.

No entanto isso mudou radicalmente para quem se hospeda num dos quarenta quartos do The Damson Dene Hotel, na Inglaterra.

A diretoria do estabelecimento provocou as mais calorosas reações ao substituir a Bíblia, encontrada normalmente na mesinha de cabeceira, pelo atual fenômeno de vendas “Cinquenta tons de cinza” de E.L.James.

O romance, pra lá de caliente, faz parte de uma trilogia e tornou-se um grande sucesso mundial ao descrever as cenas explicitas de sexo sado masoquista entre uma recatada jovem de 22 anos e um enigmático empresário.

Pertencente à igreja metodista, o hotel foi adquirido há 10 anos atrás. Acreditando que num mundo secular não fazia mais sentido oferecer a seus hóspedes apenas a leitura sagrada, o novo proprietário procurou diversificar as ofertas.

Inicialmente pensou em substituí-las por “A revolta de Atlas” de Ayn Rand, mas ao pesquisar um pouco mais percebeu que todo mundo estava lendo e comentando sobre “Cinquenta tons de cinza”.

Supôs, também, que essa aquisição agradaria a seus hóspedes, principalmente aqueles mais tímidos que poderiam se sentir envergonhados em comprá-lo pessoalmente na livraria, por causa de seu conteúdo.

A substituição foi efetuada no início do mês, e desde então as críticas tanto positivas quanto negativas têm chovido de todos os lados.

Muitos hóspedes apreciaram a novidade, mas para aqueles mais tradicionalistas os antigos exemplares de leitura continuam disponíveis e podem ser pedidos na recepção do hotel.

Fonte: A. Pawlowski – NBC News

Retirando o véu da invisibilidade

Contrariamente ao que já acontece há muito tempo nos países do primeiro mundo, a empregada doméstica ainda é um personagem importante na vida da maioria dos lares brasileiros. Quando boa profissional é o anjo da guarda e tranquilidade de muitas mulheres que também estão no mercado de trabalho. Quando não o é, torna-se motivo da famosa conversa “cri-cri” e de muitas dores de cabeça. Amadas ou odiadas, valorizadas ou desrespeitadas, não é fácil a vida de empregada doméstica.

Por muitas décadas parecia que estavam cobertas por um véu de invisibilidade, mas finalmente a importância de seu papel na sociedade brasileira começou a ser debatido.

Atualmente são as protagonistas principais da novela “Cheias de Charme” da Rede Globo, e aguardam a aprovação pela Câmara dos Deputados, do merecido direito a receber o seguro desemprego, caso sejam demitidas sem justa causa.

Vale portanto reler dois excelentes livros que se leem com interesse e falam sobre as relações entre patroas e suas empregadas. O romance ”A Distância entre nós” (2006) é passado na Índia nos tempos atuais, enquanto que a história de “A Resposta” (2010) transcorre na década de 60 nos EUA.

Vidas que se cruzam e que se entrelaçam. Enquanto que na Índia o que as separa é a divisão da sociedade em castas, nos EUA é o preconceito racial.

Apesar das diferenças culturais e temporais, não há como deixar de fazer comparações com a realidade brasileira. Infelizmente são muitas as semelhanças; mais do que gostaríamos de admitir.

A leitura desses livros funciona como puxões de orelhas, obrigando-nos a rever nosso comportamento e refletir sobre as atitudes que precisamos tomar se queremos modificar e tornar este país mais justo e igual para todos.

 

 

 

Vale a pena parabenizar Ediouro Publicações, que relançou por R$ 19,90 o livro “A Distância entre nós”, pertencente à coleção 100 Milhões de Leitores.

Perfume de Livro

Boa notícia para aqueles que amam o cheirinho de livro novo. Acaba de ser lançado o perfume “Paixão por Papel” (tradução livre) com aroma de páginas recém-impressas, ao preço de US$ 98.

Criado pela editora Steil para atender a um pedido da revista Wallpaper, o perfume procura capturar a atmosfera relaxante e reflexiva, que envolve qualquer leitura prazerosa.

O editor alemão Gerald Steidl convidou o estilista Karl Lagerfeld para desenhar a embalagem – um livro, com um espaço recortado entre as páginas, onde o frasco de perfume fica incrustado. Por sua vez, o perfumista Geza Schoen foi o responsável pela criação da essência. Enquanto normalmente um perfume tem na sua composição de vinte a cem elementos, “Paixão por Papel” tem apenas cinco ingredientes que capturam o contraditório aroma, seco e oleoso, do papel impresso.

Se para os mais saudosistas, a ausência do perfume característico do livro era empecilho para se ler no tablet, agora basta apenas borrifar algumas gotas em sua superfície e… voilà!

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