A Família Regrada

familia-regradaJá me aconteceu de achar a vida meio parada, como se pedalasse uma bicicleta ergométrica que nunca sai do lugar.

Nessas horas, procuro me animar pensando que todo esse exercício físico vai me deixar preparada para quando a roda da fortuna movimentar de novo a minha “bicicleta”.

Depois de receber respostas negativas ou nenhuma resposta, “A Pergunta Mais Importante” encontrou um lugar acolhedor para morar. Com o apoio da editora, Rosa, a personagem principal do meu primeiro livro infantil, vislumbrou novos horizontes impossíveis de alcançar se estivesse pedalando sozinha.

Nas suas andanças, conheceu a escritora e blogueira Emília Nuñez (@maequele). Esse encontro proporcionou novas aventuras não só para Rosa como também para mim.

Estimulada por Emília ignorei o acanhamento e apresentei “A Pergunta Mais Importante” em praças e eventos culturais.  Aprendi a usar o Instagram e em pouco tempo o livro estava sendo divulgado e comentado por diversos fãs da literatura infantil.

Através da rede social cheguei à “A Família Regrada”, produção independente da escritora paraense Anna Cruz (@sobreissoeaquilo).

Como normalmente costuma acontecer, o que primeiro chamou a minha atenção foi a capa. Simplesmente fiquei encantada com o traço e o colorido das ilustrações feitas por Mariamma Fonseca.

Admito que se Emília não me tivesse oferecido de presente, talvez não o adquirisse. Quando cogitei essa possibilidade, o meu censor interno gritou forte: Mais um livro não!

Mas agora “A Família Regrada” era meu, e poderia desfrutá-lo à vontade.

Trata-se de um livro pequenino de poucas páginas. Seis histórias que narram com muito humor e doçura situações vividas pela maioria das famílias.

Quem não teve ciúme do irmão (ã) e ao se tornar pai ou mãe não precisou administrar a ciumeira entre os filhos?

Engraçado, recentemente conversando com a minha irmã caçula, em tom de brincadeira que vai dizendo as verdades, ela recordou ter sido sempre a última a escolher o que era oferecido a todas.

O livro também conta uma conversa muito engraçada entre mãe e filha a respeito da pergunta clássica: Mãe, como nascem os bebês? (suspiro)

O que posso dizer é que no meu tempo a resposta não envolvia tantas alternativas e explicações. O papai botava uma sementinha dentro da mamãe e o assunto estava resolvido.

Desnecessário enumerar os benefícios de se ler para uma criança. Mas à medida que ela cresce, e começa a ler sozinha, muitas vezes esse hábito tão gostoso é deixado de lado.  “A Família Regrada” é um bom motivo para recuperar esse costume, quer seja no aconchego de um sofá ou pouco antes do último beijo de boa noite. Garanto que não vai se arrepender.

  • Instagram:

@maequele

@sobreissoeaquilo

Sete Minutos Depois da Meia-Noite

img_4324Com tantos livros para ler, que maluquice encomendar mais um! Ainda por cima um juvenil! Onde estava com a cabeça?

Tentei recordar por que o fizera, mas assim que li a nota dos autores, no início do livro, lembrei.

Ao surfar na internet ficara curiosa com uma matéria falando de um livro cuja ideia inicial fora concluída por outro escritor. Tudo porque a idealizadora dessa ideia, a escritora inglesa Siobhan Dowd, falecera prematuramente vítima de um câncer extremamente agressivo. O autor escolhido para finalizar essa tarefa foi Patrick Ness.

A carreira de Siobhan como escritora começou tarde e foi a conseqüência natural de seu trabalho para proporcionar aos jovens amplo acesso ao universo literário. Principalmente aqueles que estudavam em escolas problemáticas, se encontravam internados em hospitais, ou detidos em institutos de reabilitação.

Durante três anos escreveu intensamente. Seus livros receberam diversos prêmios, inclusive alguns após a sua morte.

No livro Sete Minutos Depois da Meia-Noite, Patrick Ness desenvolve a história idealizada por Siobhan.

Todas as noites, Conor, um garoto de treze anos, acorda assustado por causa de um pesadelo recorrente. Sua vida não é nada fácil. Os pais são separados e a mãe está muito doente. Na escola, quando não o ignoram, os colegas o agridem. Até que, numa noite, ele recebe a visita de uma árvore gigantesca e centenária que o força a encarar os próprios medos.

A história de Conor é uma fantasia emocionante e sofrida, que prende o leitor do início ao fim. Impossível não se identificar com os sentimentos do personagem. Confesso que em dado momento do livro me surpreendi chorando.

Provavelmente, por não ser o meu estilo de leitura habitual, não prestei atenção se os livros de Siobhan Dowd receberam uma boa e merecida divulgação quando foram publicados no Brasil. Pesquisando, encontrei apenas um: A carne dos anjos, infelizmente esgotado.

Pelo mesmo caminho seguiu a trilogia Mundo em Caos, de Patrick Ness. Ela foi publicada pela Editora Pandorga, mas só é possível comprar o terceiro volume: A Guerra.

Recentemente a L&PM lançou um livro de contos, voltado a um público adolescente, intitulado A Primeira Vez. Cada conto é escrito por um autor diferente. Um deles é Patrick Ness. Quem sabe não vale a pena conferir?

 

  • Sete minutos depois da meia-noite

Patrick Ness

Editora Novo Conceito

R$ 29,90

Troquei o protetor solar por livros

pilha-de-livros-ii

Aguardo ansiosa a chegada do último encontro anual com as amigas que fiz e mantenho desde a época em que trabalhei numa faculdade baiana.

Cada vez que nos reunimos comemoramos não só as aniversariantes do mês, mas também os aniversários dos meses próximos.

Com antecedência, cada uma diz o que gostaria de receber e as outras se cotizam para oferecer um único presente. Adivinhem quem vai comemorar no próximo encontro? E adivinhem o que vai pedir?

Apesar de ter escolhido, não sei quais são os livros que receberei. Essa incógnita mantém a surpresa do presente, uma agradável e aguardada surpresa!

A lista está pronta e é bem eclética. Tem ganhadores de prêmio Nobel de Literatura, escritores africanos, europeus, americanos e um suspense psicológico.

Mas os autores brasileiros ficaram de fora?  Não. Na estante tenho O que os cegos estão sonhando?, de Noemi Jaffe e em breve chegará a encomenda de  Allegro ma non troppo, da escritora brasiliense Paulliny G Tort.

Os escolhidos deste ano são:

Os Pescadores – Chigozie Obioma / Globo Livros

Enclausurado – Ian McEwan / Cia das Letras

A guerra não tem rosto de mulher – Svetlana Aleksiévitch / Cia das Letras

Como ser as duas coisas – Ali Smith / Cia das Letras

Destinos e Fúrias – Lauren Groff / Intrínseca

Cinco Esquinas – Mário Vargas Llosa / Alfaguara

Um grão de trigo – Thiong’o, Ngugi Wa /Alfaguara

Nem tudo será esquecido – Wendy Walker / Planeta

A livraria mágica de Paris – Nina George – Record

E qualquer outro de Elena Ferrante que não faça parte da série Napolitana. É difícil de acreditar, mas tenho uma cunhada tão especial e generosa que trouxe de Portugal os quatro (eu disse os quatro!) livros que compõem a coleção. Dá para imaginar o peso e espaço que ocuparam na mala?

Graças às aquisições que faço e aos presentes que recebo, tenho um estoque considerável de leitura para enfrentar o calor de Salvador. Neste verão acho que vou economizar no protetor solar.

A Boa Terra

a-boa-terraLi A Boa Terra de Pearl Buck na adolescência. Dessa primeira leitura guardei uma boa lembrança.

O exemplar que acabei de ler não é mais o mesmo. O que tenho em mãos faz parte da coleção Grandes Sucessos, lançada em 1981 pela editora Abril Cultural. Juntamente com outros, sobreviveu a diversas mudanças – tanto de cidades quanto de apartamentos – e nunca tinha sido manuseado. Dessa coleção já li Lolita, mas não A Romana de Alberto Moravia, nem O Planeta do Sr. Sammler de Saul Bellow. Preciso reverter essa situação urgentemente. É triste guardar por tanto tempo livros que nunca foram lidos.

Os dois últimos títulos estão esgotados. Melhor sorte tiveram os seus colegas de coleção, A Boa Terra e Lolita, que foram reeditados pela Alfaguarra.

Desnecessário tecer loas à importância de Lolita, considerado um cânone da literatura ocidental. Quanto A Boa Terra, cuja leitura andava esquecida, é bom saber que pode ser apreciada pela atual geração de leitores.

O livro é um empolgante retrato de uma China rural, marcado por profundos abismos sociais e tradições milenares, onde o respeito aos deuses e antepassados convive com a venda das filhas como escravas.  Uma China onde as intempéries climáticas provocam grandes catástrofes naturais e destroem sonhos e planos.

A autora tinha apenas três meses de idade quando seus pais missionários americanos a levaram para a China. Aos dezessete anos retornou aos EUA para concluir os estudos.  Mas sua identificação cultural era outra e, assim que foi possível, regressou ao país que tanto amava.

No entanto, a situação política na China deteriorava-se rapidamente. Quando eclodiu a Guerra Civil as diferentes facções concordavam apenas em uma coisa: os estrangeiros eram o grande inimigo. Por ser americana, Pearl Buck foi forçada a deixar o país e nunca mais teve permissão para voltar.

Imagino que a Boa Terra tenha sido a forma encontrada para mitigar as saudades e eternizar um modo de vida que ela compreendia e respeitava.

A sua paixão foi recompensada pois, além de conquistar um grande sucesso de público, o livro foi agraciado em 1932 com o prêmio Pulitzer. Seis anos mais tarde, Pearl Buck receberia o prêmio Nobel da Literatura.

A obra de Pearl Buck é uma janela reveladora da alma e dos costumes do povo chinês. Uma China que não existe mais, mas sempre fascinante e merecedora de ser lembrada.

 

  • A Boa Terra

Pearl Buck

Editora Alfaguara

R$ 54,90

E-book R$ 29,90

 

Entradas Mais Antigas Anteriores

%d blogueiros gostam disto: